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Agilson Cerqueira
Prosa, Verso e Arte
Textos

ENTRE O PÃO E O HORIZONTE

Agilson Cerqueira

Que a palavra amanheça mansa,

com o cheiro do café na cozinha

e o pão repartido em mãos calejadas.

Que a poesia aprenda o nome

das pessoas simples,

das que sorriem sem testemunhas,

das que fazem do pouco

uma abundância invisível.

Que a ternura encontre morada

nos gestos esquecidos:

um abraço demorado,

um olhar que acolhe,

uma espera sem relógio.

Que a ingenuidade não seja confundida

com fraqueza,

mas reconhecida

como a coragem de ainda acreditar.

Que a solidão tenha janela,

por onde entre a luz da manhã,

e descubra que o silêncio

também pode florescer.

Que a alegria não faça alarde.

Basta o brilho dos olhos,

o arrepio que não vem do frio,

mas da beleza inesperada

de alguém sendo verdade.

Que a paciência seja caminho,

a benevolência, companhia,

e o perdão, uma ponte

sobre os abismos que nós mesmos cavamos.

Que os sonhos caminhem

de mãos dadas com a realidade,

sem perder o espanto,

sem abandonar o horizonte.

Que a consciência seja consequência

do amor vivido,

e não apenas do pensamento.

Ao fim, que reste apenas isto:

um coração suficientemente humano

para reconhecer a beleza

onde o mundo insiste em enxergar apenas o comum.

Agilson Cerqueira
Enviado por Agilson Cerqueira em 05/08/2026
Alterado em 10/10/2026
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