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Agilson Cerqueira
Prosa, Verso e Arte
Textos

RETORNO DOS ÁTOMOS À ORIGEM

O Professor Lejeune Mirhan, um polímata, um renomado sociólogo, um professor, arabista e analista internacional brasileiro, amplamente reconhecido por sua vasta erudição e atuação como intelectual.

Perdemos um dos maiores intelectuais brasileiro.

Consternado.

Dedico.

Agilson Cerqueira

Quando um professor parte,

não é uma vida que termina.

A gente perde um norte.

Perde uma direção.

E algo dentro de nós também se quebra,

como se uma luz antiga, conhecida e segura, simplesmente se apagasse no meio do caminho.

A bússola falha por um instante,

como se os ponteiros deixassem de saber para onde ir.

Ficamos meio órfãos do pensamento.

E isso não é silencioso — fica ecoando por dentro, em forma de lembranças, de vozes, de ensinamentos que ainda ficam na memória.

Tem um tempo de silêncio.

O professor não está mais aqui.

Um silêncio pesado, quase físico,

a tristeza parece parar a cabeça.

As palavras tentam fazer sentido,

como se também estivessem de luto.

A sabedoria fica meio pálida.

Não porque acabou, mas porque perdeu uma de suas vozes — aquela que ajudava a clarear dúvidas, acolhia incertezas,

e transformava medo em curiosidade.

Um professor vai embora

e leva junto anos de leitura,

de perguntas sem resposta fácil,

de respostas provisórias,

de mãos estendidas ajudando outras pessoas a pensar.

E leva um pouco da gente também,

porque ninguém sai igual depois de ser ouvido por um mestre.

Mesmo assim, ele fica.

Fica em cada um que aprendeu a pensar,

em cada livro que abriu caminhos,

em cada ideia que não aceitou o óbvio,

em cada silêncio que agora carrega sua lembrança.

Fica também na saudade — forma meio dolorida, meio bonita, de amor que não vai embora.

Hoje, perdemos um professor.

Perdemos uma referência.

Perdemos um intelectual.

Dói de um jeito calmo e fundo,

como se a ausência tivesse peso,

como se o mundo tivesse ficado um pouco mais vazio — e, ao mesmo tempo, mais grato.

Mas o pensamento dele continua ensinando,

porque não acaba quando o professor se vai; continua na cabeça de quem ele ajudou a despertar.

Agilson Cerqueira
Enviado por Agilson Cerqueira em 07/08/2026
Alterado em 10/10/2026
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