Agilson Cerqueira
De palmo a palmo imagino medir o mundo, mas o mundo nunca dependeu de medidas.
Os passos medem estradas; medem o chão. Quilômetros medem estradas. Mas a distância da imaginação está nas coisas que se costuma ignorar.
Em alguns momentos, o mundo inteiro parece apertado no espaço dos pensamentos. Em outros, o horizonte é imenso e, mesmo assim, deixa uma sensação de aperto. Talvez porque a vida mude de acordo com o tamanho do que se imagina, sente e deseja.
Estamos entre as limitações reais e a vontade fantasiosa do abstrato.
Há uma ingenuidade esperançosa em achar que a vontade pode ser sempre realizada, pois há desejos que morrem no peito como abrigo definitivo.
O mundo impõe suas próprias estradas.
O tempo corre sem se curvar.
Há o silêncio absoluto das ausências.
Há portas fechadas.
Há caminhos que simplesmente acabam num despenhadeiro.
Mas existe uma diferença brutal entre a parede real e a sombra que a gente confunde com pedra.
Muitas das nossas fronteiras só continuam de pé porque paramos de encarar a estrutura. Aceitamos a restrição por conveniência, porque encarar o espaço aberto dá mais trabalho do que se acomodar na cela.
Gastamos uma energia enorme tentando abrir portas, caminhando em terreno estreito olhando cada pisada, procurando uma nova estrada, sem nunca ter a audácia de perguntar o que existe do outro lado.
O mar não começa na areia; começa na coragem de olhar para a água e enfrentar os desafios.